domingo, outubro 08, 2006

Um amor.

Um amor que me tire o fôlego. Um amor que me faça chorar. Um amor que venha junto com outros fortes sentimentos. Um amor que grite por mim à meia-noite de uma terça-feira. Um amor da telona. Um amor que me faça acordar sorrindo. Um amor que me acorde sorrindo. Um amor que converse com olhares. Um amor que deite no chão e olhe estrelas. Um amor apaixonado. Um amor com brigas imensas. Um amor com reconciliações imensas. Um amor calado. Um amor cheio de sorrisos. Um amor que goste de assistir Friends comendo pipoca e chocolate. Um amor que sinta saudades. Um amor amável. Um amor de pés descalços. Um amor que pareça ser pra sempre. Um amor que tenha olhos de admiração. Um amor de Almodóvar. Um amor imenso. Um amor intenso. Um amor que saiba cozinhar. Um amor que me olhe dormir. Um amor que escute Chico Buarque. Um amor com abraços. Um amor que também não goste de conversas ao telefone. Um amor com vinho tinto. Um amor com sorvete de chocolate. Um amor que queira ser pai. Um amor que saiba ser filho. Um amor ocupado. Um amor que arranje tempo. Um amor cheio de declarações. Um amor. Amor.

quarta-feira, outubro 04, 2006

bip bip

Foram os dez segundos de maior desespero da minha vida. Eu escutei àquele bip bip e pensei “deve ser o painel eletrônico do Senhor chamando minha senha”. Nos primeiros dois segundos eu achei que fosse a temida dor do parto que todas as mulheres tanto falam. Depois eu achei que estavam enfiando uma faca na minha mão, deve ser assalto. Depois eu não achei mais nada, ficava só olhando os anjinhos dando voltas ao meu redor e carregando minhas malas.
Ouvi vagamente alguém gritar meu nome. Droga, Santo Antônio deve estar querendo cobrar a promessa que fiz dois anos atrás. Eu nunca deveria ter casado. E essa lata-velha aqui do Pedro, ele dá mais valor a esse Palio 95 do que a mim. Já sei, àquele sonho que eu tive aonde eu destruía o carro com um taco de beisebol foi real, e agora o Pedro ta me dando uma surra. Eu mereço.
Mais uma vez o meu nome. Eu não sou muito de fazer promessas, então agora deve ser o Senhor em pessoa, achando que o painel eletrônico dele quebrou, ou então que eu sou uma completa alienada mesmo. Maravilha, agora todos me odeiam no céu também. O garçom do heaven’s restaurant vai cuspir no meu jantar, tenho certeza.
Outro bip bip. O Pedro vem correndo e abre a porta do carro. Mas eles não deveriam estar no céu, e além do mais, é por ordem de chegada, porque ele ta me puxando? Alívio. Agora que todas as lágrimas já saíram dos meus olhos consigo enxergar tudo ao redor. Nada de São Pedro, Santo Antônio ou São me-ajude-que-esta-dor-é-insuportável. Nada de portal dourado ou anjinhos. Nada de heaven’s restaurant. A dor passou. Não acredito que ele tinha prendido meu dedo na porta. Canalha.