sexta-feira, novembro 10, 2006

Cores

E tudo ficou muito, mas muito mais colorido. Não é exagero não, a primavera resolveu não ir embora, e se estendeu aos tons das ruas, dos prédios e das pessoas, pra ninguém ficar com inveja.
Nem Almodóvar conseguiria fazer algo assim. O azul do céu brilha feito roupa de carnaval, comemorando a quarta-feira de cinzas que nunca vai chegar. Tem tanto verde nas ruas que dirigir se tornou um exercício calmante, ou talvez seja só eu, seguindo o caminho certo. E os sorrisos das pessoas? Tenho me sentido em uma eterna propaganda de creme dental, um brilho eterno, só que de mentes com lembranças. Boas.
Músicas têm um colorido especial. Cada vez que você as escuta o arco-íris fica diferente. Tem banda que só canta vermelho, músicas de amor. Tem banda que só canta preto, porque eles são das profundezas da vida. Eu só escuto quem canta colorido, samba de Chico Buarque e risadas de Camille, apesar da minha intuição dizer que os Los Hermanos cantam azul.
Meu destino é escuro. Mas escuro é bom, faz a gente imaginar as coisas. Quem tem destino claro consegue enxergar a própria sorte, mas perde a parte legal da vida, que é a descoberta.

domingo, novembro 05, 2006

A menina do menino

A menina já tinha esquecido o que era poesia,
Som, cor e sentimento não queriam mais se misturar.
Pensem numa vida sem graça a da menina,
Até que bem do seu lado apareceu aquele olhar.

O menino andava meio sem direção,
Ninguém sabe ao certo porquê, mas devia ter uma razão.
Mas pensem em um menino que é impossível não gostar,
É ele. E o destino, teimoso, quis os dois juntar.

De tanto pensar, aposto que até você já entendeu.
A menina agora é do menino, simplesmente aconteceu.
Ela até lembrou o que é poesia, veja que engraçado.
Só não sabe se essa aqui vai ficar do seu agrado.

O menino também é da menina, pelo menos é o que ele diz.
A menina, lógico, acredita, porque ela quer mais é ser feliz.
E mesmo que a poesia da menina pareça meio sem métrica e razão,
Quem se importa? Eles agora seguem na mesma direção.