domingo, dezembro 02, 2007

Capítulo 5

A grama estava mais verde do que nunca. Certamente já sabia o que estava para acontecer, e tratou de se arrumar pra recebê-la.
Ela gostava de sentir o leve toque do verde em seus pés, após embarcar em histórias que não eram suas, à beira do rio.
Como nas outras tardes, sonhar acordada já não era mais estranho, era amor. Ele chegaria logo, trazendo uma felicidade que havia se afastado 2 anos antes, em plena primavera, com flores violetas ao redor do azul.
Ela caiu na confortável grama. Olhando pra frente, conseguiu vê-lo correndo em sua direção, e por isso sorriu, antes de fechar os olhos.

Sapatos Vermelhos

Sapatos vermelhos. Daqueles que levam para outra estação, mais perto ou mais longe do amanhã, tanto faz. Olhos meigos e a procura do incerto. Quem acha que já encontrou o futuro ainda nem saiu do passado. O amanhã depende deles, sapatos vermelhos que brilham refletindo a luz da lua. E quando ela calçou, sentiu o beijo vermelho e molhado, sentiu que sua estrada era aquela e só.

Vermelhos. E não dá mais pra tirar de lá. O caminho incerto como os olhos, mas que eles já fazem sozinhos, porque são vermelhos. E as pétalas vão ficando para trás, pegadas vermelhas, o passado. Vermelha a face. Vermelha a estação. Sozinhos eles não chegam lá. Sapatos vermelhos.